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08/10/2007 - BANCO DO BRASIL PAGA R$ 520 MILHÕES POR BESC

O acordo assinado ontem em Florianópolis, para que o Banco do Brasil incorpore o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), salda uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e garante aos cofres catarinenses o ingresso imediato de R$ 520 milhões, mais um abatimento futuro na dívida de R$ 1,6 bilhão contraída com a União para sanear o Besc. Mas já está sob ameaça de pelo menos uma contestação.

O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, anunciou no início da semana que pretendia recorrer à Justiça para garantir a participação dos bancos privados em oferta pública nos casos de transferência de bancos federalizados, caso do Besc. Até ontem, porém, o banco não confirmava se iria de fato procurar a Justiça. Em solenidade que reuniu mais de mil pessoas no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, o presidente Lula acompanhou a assinatura de três termos de compromissos entre o governo do estado, Banco do Brasil e União.

O primeiro alterou o objeto do contrato original de federalização do Besc e do Besc S.A – Crédito Imobiliário (Bescri), da privatização para a incorporação pelo Banco do Brasil. A mudança terá de ser chancelada pelo Senado Federal. Se for aprovada, portanto, a retirada do Besc e do Bescri do Plano Nacional de Desestatização, os ativos serão finalmente avaliados e o valor correspondente abatido da dívida do estado com a União.

No segundo termo, o Tesouro Nacional autorizou a antecipação do pagamento de R$ 270 milhões em títulos públicos decorrentes da federalização da dívida do Instituto de Previdência de Santa Catarina (Ipesc). O contrato inicial era de pagamento de R$ 5 milhões ao mês em 29 anos. Foi a compensação financeira que o governo estadual obteve, para abrir mão da venda da conta-salário do funcionalismo ao Bradesco. Conta-salário E o terceiro termo completou o aporte financeiro imediato ao estado, justamente com a concessão, por cinco anos e pelo valor de R$ 250 milhões, da conta-salário do funcionalismo estadual ao Besc e, depois da incorporação, ao Banco do Brasil.

A conta-salário havia sido leiloada no ano passado e o Bradesco fora o vencedor da licitação, com o valor de R$ 210 milhões, mas, de acordo com o secretário de Coordenação e Articulação do governo de Santa Catarina, Ivo Carminatti, o ato foi “perfeitamente” anulado em favor da “engenharia financeira” articulada com o governo federal para manter as peculiaridades do Besc. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, signatário dos atos pelo governo federal, confirmou que os contratos garantem a marca e as características do Besc por pelo menos cinco anos. “Evitamos que o Besc fosse diluído numa cadeia de bancos privados, perdendo sua personalidade”, discursou.

A metáfora escolhida por Mantega foi a de um “casamento feliz” entre um banco local, que atende bem a população, e o maior banco do país, que é Banco do Brasil. Sinergia “ Vamos fazer uma sinergia entre os dois bancos e aumentar o crédito e as possibilidades de negócios do empresário e do cidadão de Santa Catarina. É bom para o Banco do Brasil, que tem que competir com os bancos privados dando condições melhores”, disse Mantega sobre a perspectiva de, além do setor agrícola, expandir a atuação do Banco do Brasil na área de crédito imobiliário.

O presidente Lula, em discurso, citou exemplos do Banespa, da Sudam e Sudene para criticar as privatizações e o mau-gerenciamento do setor público no passado. Lembrando reportagens sobre prejuízos do Banco do Brasil, disse que não faltava quem falasse em venda sobre prejuízos causados em favor de interesse de governantes e de tomadores de empréstimo privados – e não da sociedade. “Aí aparecem aqueles que fazem discursos fáceis em momentos oportunos para dizer o seguinte: o banco não presta, o banco faliu, os funcionários são incompetentes, nós temos que vendê-lo. Vendê-lo não, porque no Brasil houve quase um processo de doação da coisa pública”, disse o presidente.


Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

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