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01/04/2007 - CHEQUE PASSA A BOLA PARA O ...

Cheque passa a bola para o dinheiro de plástico.


Cartões de crédito e débito desbancam o uso do talão, que caiu 46% em Santa Catarina no primeiro bimestre.

Você é atendido após longa espera em uma fila – mais longa ainda – de pessoas que aguardam a vez para pagar as compras. O que prefere? Tirar um maço de folhas de papel de dentro da carteira, preencher dado a dado com uma caneta e ter o cuidado de conferir tudo antes de assinar; ou puxar um cartão de plástico, digitar uma senha pessoal e afinal se livrar da fila? Mais e mais brasileiros escolhem a segunda opção, o que contribuiu para que o uso de cheques caísse 12,4% em 2006 no Sul do País, segundo dados do Banco Central.

A goleada que os cheques têm tomado dos cartões de crédito e débito se constata pelos números. A quantidade de cheques emitidos em Santa Catarina caiu 46% no primeiro bimestre deste ano em relação ao ano anterior. O valor das ordens de pagamento também despencou 42%, de acordo com os registros do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Na contramão, a Federação do Comércio (Fecomércio-SC) constatou que a compra com cartões cresce ano a ano. Em um estudo com base na Grande Florianópolis, a parcela de compras feitas com cartão passou de 14,9% do total em janeiro do ano passado para 19% no mesmo mês de 2007. Em dezembro de 2006, alta temporada para as compras, uma em cada cinco foi paga com o dinheiro de plástico.

E não é só a praticidade que move a preferência do mercado pelo dinheiro de plástico. O medo de calote levou estabelecimentos a barrarem de vez a entrada de cheques. “Apesar das taxas mais altas para os empresários, os cartões dão a garantia de que a empresa vai receber o pagamento.

Mas o cheque ainda tem peso e o que os comerciantes fazem é se cercar de cuidados porque ninguém dispõe de recursos para suportar inadimplência”, avalia o presidente da Federação do Comércio do Estado de Santa Catarina (Fecomércio-SC), Antônio Pacheco.

Entre esses cuidados estão não aceitar cheques de terceiros ou de outras praças, além de manter um cadastro dos usuários de talões, exigência comum em postos de gasolina, supermercados e bares.

Restringir de vez a aceitação de cheques não é uma boa estratégia, na visão de Pacheco. “Isso pode reduzir a procura pelos clientes. O consumidor vê a placa de ‘não aceita-se’, se sente constrangido e deixa de freqüentar o estabelecimento”, avisa.

Do ponto de vista do comerciante que não aceita cheques, a inadimplência é um caso sério e justifica esse procedimento. “Aceito cheques em casos muito restritos, de clientes que conheço bem e apenas para pagamento à vista. Não trabalho com cheque pré”, argumenta Daniela Garcia, dona de uma loja de roupas em Joinville. Há dois anos à frente da loja, a empresária só teve um caso de cheque que retornou por falta de fundos.

Ela também acredita que o pagamento a prazo com cheque acaba afastando a clientela. “Sempre ofereço o crediário. Quero que estejam sempre circulando pela loja”, explica.

Pode parecer antipático, mas ilegal não é. “O comerciante só não pode se negar a receber dinheiro em espécie, a não ser que a nota seja falsa ou esteja mais da metade rasgada. Mas o estabelecimento é livre para decidir como quer receber o pagamento”, explica a professora de direitos do consumidor Leilane da Rosa, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Contra a lei é passar cheque sem fundos, o que pode render pena de até cinco anos de reclusão.


Fonte: A NOTÍCIA

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