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18/07/2018 - ITAÚ CHEGA AO MERCADO DE MAQUININHAS DE CARTÃO

Por meio da marca Credicard, banco vai disputar clientes com empresas como a PagSeguro. A expectativa do banco é vender entre 100 mil e 150 mil aparelhos nos próximos meses (Geraldo Samor)

O mercado de maquininhas de cartão, cada dia mais disputado, agora terá outro peso-pesado para brigar pelos microempreendedores. O Itaú, por meio da marca Credicard, vai entrar nesse segmento. A previsão é que essa estratégia tenha como reflexo uma queda nas taxas de retorno do setor, desbravado pela PagSeguro.

A estratégia coloca uma marca muito conhecida para combater a PagSeguro sem canibalizar a Rede, a principal credenciadora do Itaú, cuja oferta de serviços e preço é mais robusta. Enquanto a Rede determina sua taxa em uma negociação individual de cliente a cliente, a Credicard terá uma oferta de preço único, permitindo que o lojista receba em um prazo mais curto, mas embutindo no preço o custo de capital – uma estratégia de precificação conhecida no jargão do setor como ‘MDRzão’.

O cliente não terá a opção de não adiantar o fluxo. Além disso, o preço será igual para todos. O pagamento ao lojista será em D+1 para débito e D 2 para crédito – comparado aos 30 dias usuais. O MDR para crédito à vista – que já embute o custo da antecipação – é de 3,98%.

Considerando as taxas cobradas pela transação e o custo da antecipação de recebíveis, o Itaú diz que sua oferta é de 15% a 42% mais barata que os três principais concorrentes no mercado de microempreendedores individuais (MEIs) – variando das modalidades de débito até crédito parcelado em três vezes, que representam 85% do volume operado no segmento.

A expectativa do banco é vender entre 100 mil e 150 mil maquininhas nos próximos meses e capturar cerca de R$ 1 bilhão em transações até o fim do ano. Assim como a Cielo e a PagSeguro, que apostam em figuras populares como Fabio Porchat e Michel Teló em suas campanhas, a Credicard terá Ivete Sangalo como porta-voz.

Em vez de aproveitar a estrutura da Rede, o Itaú vai entrar como uma nova adquirente ‘full’ com a marca Credicard – que já vinha sendo usada como marca de ‘combate’ do banco com o Credicard Zero, um cartão de crédito sem anuidade criado para concorrer com o Nubank. O processamento será feito pela FirstData, dona das maquininhas BIN.

Atraso
O Itaú reconhece que chegou com atraso na batalha pelo nicho mais promissor da adquirência, mas avalia que ainda há um amplo mercado para explorar. “Ainda é um segmento em franca expansão e subpenetrado. O timing não parece ser um problema”, diz Marcos Magalhães, diretor executivo do Itaú e presidente da Rede. Na sua avaliação, do mercado de R$ 350 bilhões em processamento de cartões para MEIs, apenas 20% já foram tomados pelos concorrentes.

“Em segmento de nichos e emergentes de inovação, não é do feitio do Itaú entrar como primeiro player. Preferimos ser ‘followers’ (seguidores) que executam muito bem os setores em que decidimos entrar”, afirma Magalhães.

A Credicard será uma plataforma ‘agnóstica’: o cliente poderá receber na conta-corrente ou poupança de qualquer banco. A venda se dará pela internet e não contará com a força de vendas nas agências. Em um primeiro momento, a Credicard não vai ofertar conta de pagamento – uma modalidade utilizada por players como PagSeguro e a Point, do Mercado Pago – para quem ainda não tem uma conta no nome da empresa. Esse tipo de conta deve vir em uma segunda etapa.

Potencial
Dados do Banco Central mostram que 19% dos 8,7 milhões de MEIs do Brasil não têm conta-corrente aberta no CNPJ. “Não posso falar pelos concorrentes, mas acredito que nossa seletividade vai ser maior”, acredita Magalhães. “Estamos focando em um tipo de cliente, que é aquele para qual a antecipação é relevante.”

A nova iniciativa mostra a tentativa do Itaú de recuperar terreno no mercado de cartões – um segmento onde o CEO Candido Bracher já disse que a rentabilidade vem deixando a desejar.
Uma das duas gigantes do duopólio que existia antes da abertura do mercado, em 2011, a Rede vem perdendo participação de mercado nos últimos anos – de 28% em 2014 para 32% em 2017, de acordo com um levantamento feito pelo UBS. No mesmo intervalo, a PagSeguro saiu do zero e abocanhou uma fatia de pouco mais de 4%. “Se o Itaú não se mexer, vai acabar ficando na adquirência com a fatia que ele tem no mercado bancário, que é de uns 20 e poucos por cento”, diz uma fonte do setor. 




Fonte: CORREIO BRAZILIENSE / FEEB PR

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