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07/08/2018 - SAÚDE DOS BANCÁRIOS PEDE SOCORRO


A política de gestão dos bancos faz da categoria uma das que mais adoece. Bancários ainda enfrentam problemas para cuidar da saúde ou quando retornam após afastamento. Fenaban deve apresentar proposta às reivindicações da categoria nesta terça 7

Um trabalhador vende para a empresa a sua força de trabalho, e não a sua saúde. Mas o trabalho nos bancos, cuja gestão se baseia em metas abusivas, assédio moral, competitividade e sobrecarga, é responsável pelo alto nível de adoecimento na categoria, principalmente por LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) e transtornos psíquicos como depressão, síndrome do pânico e ansiedade.

Não são poucos os relatos de sofrimento físico e psíquico que chegam à Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Em um deles, um bancário do Itaú, descreveu a rotina de sobrecarga e cobranças que o levou a ter bursite, tendinite e depressão profunda, com sintomas psicóticos e pensamentos suicidas.

“Nesses 10 anos de banco, a violência psicológica e a sobrecarga de trabalho foram extremos e monstruosos, com metas abusivas inatingíveis e jornada de trabalho de nove a dez horas, com vinte minutos de almoço. Era designado pelos meus gestores a executar serviços de tesouraria, pela experiência adquirida no trabalho anterior. 

Em um dia, atendia no caixa em ritmo acelerado para não penalizar o tempo de fila imposto pelo banco, além de tentar vender produtos e serviços a todo custo para bater a meta de 1.200 pontos. Após o fechamento da agência, me deslocava até a tesouraria para ajudar no fechamento, abastecendo caixas eletrônicos, conferência de altas quantias de numerário, totalizando mais de nove horas de trabalho e muitas vezes sem almoço”, contou o trabalhador.

Assédio moral
Casos de assédio moral também são numerosos: “Seus burros, bando de acéfalos incompetentes, não sabem fazer nada. Se eu pudesse, trocava todos vocês, mas não tem problema que aos poucos eu faço”, essa era a forma de tratamento de uma gestora do Santander, relatada por outra bancária.

Obstáculos para cuidar da saúde
Como se não bastasse adoecer, os bancários ainda enfrentam dificuldades para tratar adequadamente da saúde e até mesmo quando retornam ao trabalho.

Um dos primeiros obstáculos enfrentados pelo bancário que adoece é a recusa por parte dos bancos de atestados de médicos particulares, que na maioria das vezes são conveniados ao plano de saúde do trabalhador.

Em um dos casos atendidos pelo Sindicato, a bancária apresentou atestado médico, mas o banco exigiu que ela passasse por avaliação complementar, com profissional ligado à empresa. Porém, na data marcada (23 de fevereiro) ela estava internada no hospital. Assim, mesmo com perícia médica no INSS agendada para o dia 28 de fevereiro, teve ausências descontadas pelo banco a partir do dia 23 e, posteriormente, teve a licença recusada em 13 de março, dia em que venceram seus atestados.

Outro problema é quando o bancário retorna ao trabalho, após afastamento por doença, e sofre com as condições inadequadas impostas pelos bancos. Uma trabalhadora, atendida pelo Sindicato, relata que ficou sem função e isolada do resto da equipe. “O Itaú não me transferiu para nenhuma área deles, sendo que essa é a segunda vez que volto de licença e sou obrigada a ficar no prédio do Citibank, largada, sem fazer nada. Isso não ajuda em nada na readaptação.”

Reivindicações
Diante desse cenário, saúde e melhoria das condições de trabalho são reivindicações importantes para a categoria na Campanha Nacional Unificada 2018. Após cinco rodadas de negociação, a Fenaban (federação dos bancos) se comprometeu em apresentar, na terça-feira 7, uma proposta global para a pauta dos bancários, que atenda não só as demandas de saúde, mas também de remuneração, como aumento real nos salários e demais verbas; de emprego, com proteção contra os contratos precários previstos pela reforma trabalhista; de igualdade de oportunidades, entre outras. 




Fonte: SEEB SP / FEEB PR

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