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01/05/2007 - 1º DE MAIO. ADAPTAÇÃO AOS NOVOS TEMPOS

A chegada das centrais sindicais ao poder, com dois de seus representantes estrategicamente posicionados no comando dos Ministérios da Previdência e do Trabalho, acabou por esvaziar a agenda de reivindicações históricas do movimento sindical.

Conquistas como a política de valorização do salário mínimo atrelada à correção progressiva da tabela do Imposto de Renda, e a participação no governo ajudaram em uma espécie de cooptação oficializada das centrais, que neste 1 de Maio vão levantar bandeiras que, até pouco tempo atrás, eram preocupação quase exclusiva das entidades representativa do patronato.

“Nós tivemos que adaptar nossa pauta aos novos tempos, agora nossa luta tem foco no crescimento de 5% da economia e em uma reforma tributária mais ampla do que a que já passou pelo Congresso”, diz o ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício. A central está representada no governo por um de seus ex-presidentes, Luiz Marinho, titular do Ministério da Previdência.

A mudança de discurso é também sintoma da maior proximidade entre centrais e o Palácio do Planalto. Ao chamar os sindicatos para o debate sobre a formulação das propostas de reforma trabalhista e da Previdência, o governo apaziguou os ânimos do movimento, que adotou postura conveniente a quem é parte da coligação que sustenta o governo Lula.

A aceleração da queda na taxa básica de juros, a redução do spread bancário e a reforma tributária - agenda do governo - ganharam eco entre os líderes sindicais. A reforma sindical perdeu prioridade. As centrais defendem que ela seja feita “aos poucos”, fora de um pacote com grandes mudanças.

“Tivemos que repensar nosso discurso”, admite o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna. A Força passou a fazer parte do governo com a nomeação de Carlos Lupi (PDT) para o Ministério do Trabalho. “A legalização das centrais ainda é uma das bandeiras levantadas no 1 de Maio, mas a maior das nossas causas hoje é de fato o crescimento econômico.

Discordâncias

Pequenas discordâncias na receita desse crescimento ainda marcam a relação entre centrais e governo.

A medida que limita em 1,5% ao ano o crescimento da folha de pagamento do governo, incluída no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), é vista com temor pelas centrais. Para João Felício, ela engessa a mobilização sindical ao reduzir o espaço para reivindicações no funcionalismo público. “Esse limitador, além de tirar qualquer possibilidade de luta por melhorias dos servidores, ainda abre a possibilidade de governadores e prefeitos simplesmente não reajustarem salários nos próximos anos”, critica João Felício.

O piso salarial de R$ 850 proposto para os professores também será alvo de protesto nas comemorações do 1º de Maio.


Fonte: GAZETA MERCANTIL

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