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07/05/2007 - APOSENTADORIA DESANIMADORA

Benefício reduz por causa da defasagem do reajuste.

Ivan Ramos não gosta de olhar para o teto de sua casa em Joinville. O recrutador aposentado, de 68 anos, chamou o carpinteiro na semana passada para consertar o forro, serviço que deve custar uma boa parcela da sua aposentadoria. “Qualquer vendaval quebra telha, sarrafo, pinga dentro de casa. Como não há dinheiro, tenho de fazer devagarinho. Quando era empregado, pagava tudo à vista”, conta.

Em dez anos, Ramos viu seu benefício sofrer uma defasagem de 44% sobre os oito salários mínimos que ganhava em 1986. Ou seja, dos R$ 3.040,00 que equivaleriam hoje ao que recebia quando se aposentou há 21 anos, a Previdência deposita cerca de R$ 1.350,00 em sua conta todos os meses. “Paguei o teto de contribuição pensando que a minha vida ia melhorar. Tudo ilusão”, lamenta.

A conta de Ramos está certa? Em termos. “As aposentadorias vêm sendo corrigidas pela inflação desde 1995. É uma política diferente da do salário mínimo, que passou a receber reajustes altos para recuperar a renda da população que está na base”, afirma o economista Daniel Passos, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-SC).

Mas o ponto de vista de Ramos faz sentido. A sensação de que “quem se aposenta, empobrece” é real e tem duas explicações. Uma é a perda de benefícios trabalhistas, como abono salarial, auxílios e vales-refeição. “É a realidade, o aposentado vai receber um benefício no máximo equivalente à sua renda, ou abaixo disso. Tem que se adaptar porque nunca mais vai ter perspectiva de aumento, apenas a correção”, afirma Passos.

É o caso do ex-bancário Elídio Sertig, de 63 anos. Aposentado há dez, apertou o cinto. Deixou no passado muitos hábitos, como trocar de carro.

Sertig contribuiu sobre dez salários para garantir uma aposentadoria alta. Nada feito, ficou com R$ 1.591,55.

Cauteloso, contribuiu por 28 anos com um plano privado para complementar a renda. É a mesma sensação que tem um grupo de eletricitários da Grande Florianópolis consultados pelo Dieese-SC. O maior medo de 23,5% deles é a queda do padrão de vida na aposentadoria.

Teto não é sinônimo de boa vida

A sucessiva queda nos reajustes das aposentadorias atinge todos que ganham mais que um salário mínimo de benefício. Ou seja, 299.612 aposentados catarinenses têm que se virar para adaptar o orçamento. O consultor de finanças pessoais Renato Follador é taxativo. “As pessoas ficam na ilusão de que a Previdência vai pagar o salário integral se contribuírem com o teto", afirma.

Para receber o teto de aposentadoria de R$ 2.894,28, é necessário contribuir por no mínimo 12 anos com 11% dessa quantia mensalmente. Mas isso não significa que a vida vai estar ganha. “Em no máximo dez anos o regime da Previdência não vai pagar um teto maior que cinco salários mínimos”, diz Follador.

Fazer um plano de previdência privada é o caminho mais eficaz e mais vantajoso.

camille.cardoso@an.com.br


Fonte: A NOTÍCIA

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